Os cegos e o elefante


Na bíblia sempre iremos achar um contraponto, uma espécie de equilíbrio, e este ponto de equilíbrio é o próprio Senhor Jesus. Por exemplo, a mesma bíblia que disse "dá ao que te pedir", também disse "se alguém não quiser trabalhar, não coma". Isso quer dizer, seja manso, amoroso e disposto a ajudar, mas também seja sábio é prudente para você não ser enganado e sustentar um vagabundo. Praticar a justiça em conformidade com a Palavra portanto consiste tanto na mansidão da pomba como na prudência da serpente. Estes dois aspectos se completam um ao outro, praticar um e não o outro é como um pássaro tentar voar com apenas uma de suas asas. Tomar apenas um texto isolado ou enfatizar demais um único ponto e ensinamento da escritura em detrimento de outros levará a uma perversão do ensino de Jesus Cristo e uma visão incompleta da palavra de Deus, levando muitos a disputarem por pontos de vista que muitas vezes crêem ser contraditórios quando na verdade são apenas complementares. A verdade é que nenhum de nós é pleno em termos de ensino e de ciência (conhecimento) da palavra de Deus, por isso temos que aprender uns com Cristo na vida dos outros.

A parábola abaixo, dos cegos e do elefante, ilustra muito bem isso:

Certa vez, um rei reuniu alguns homens cegos ao redor de um elefante e perguntou o que lhes parecia ser.

O primeiro deles apalpou a presa e disse que o elefante se parecia com uma gigantesca cenoura; outro, tocando-lhe a orelha, disse que se parecia como um enorme leque; outro, apalpando-lhe a tromba, concluiu que o elefante se parecia com um pilão; outro, tocando-lhe a perna, disse que se parecia com um almofariz; outro ainda, agarrando-lhe a cauda, disse que o elefante era semelhante a um corda.

O rei então permitiu que os homens discutissem por algum tempo para ver se chegavam a um consenso sobre qual seria a semelhança do elefante, no entanto, passando-se o tempo, cada um seguia o seu argumento baseado no seu próprio ponto de vista e experiência pessoal, ignorando completamente o ponto de vista do outro, e tentando convencer os demais de erro. Assim o debate seguiu até que o rei, percebendo que eles não chegariam a um acordo, decidiu intervir.

Na verdade, nenhum deles foi capaz de descrever a forma real do elefante.

O rei então falou - "O elefante é tudo isso que vocês falaram. O que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam, isso sim, juntar as experiências de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante."

Podemos entender que cada cego nesta parábola achava que o seu "pedacinho de elefante" já era um elefante completo, eles nem mesmo foram capazes de perceber como a sua limitação física poderia afetar o seu juízo, mesmo sendo cegos e apenas as apalpadelas, julgaram que conseguiram ver tudo, ou seja, confiaram demais no seu próprio tato, e acabaram desprezando seus companheiros que também estavam ali junto deles em busca da descrição perfeita do elefante.

Se aplicarmos isso aos ensinamentos de Deus vamos tomar uma grande lição, pois cada um de nós, que adora Deus em espírito e verdade, tem uma pecinha do quebra-cabeças, não conseguiremos montar uma imagem completa e clara baseados na pecinha de um só. Por isso por exemplo, Pedro falou aos irmãos para escutarem Paulo, que escreveu segundo a sabedoria que Deus lhe deu. Do mesmo modo Paulo escreveu, que Pedro, Apolo, ele próprio, eram apenas ministros e não deuses, e cada um deles ministrava segundo a sabedoria que havia recebido - pois um homem não pode ter nada se do alto não receber.

Um ministra sobre a tromba, e o outro sobre o rabo do elefante, mas no final das contas, todos estão ministrando sobre o elefante. Eu realmente não estou aplicando este ensino numa plataforma ecumenista, não sou nenhum pouco ecumenista, e muito menos estou fazendo apologia de que todas as igrejas estão realmente falando sobre o mesmo Jesus, não, há muita apostasia em nossos dias, muito engano, muitos erros fatais, o que estou tentando falar aqui é sobre a unidade dos verdadeiros adoradores, que passa pela humildade do reconhecimento de que nenhum de nós conhece o todo, conhecemos ainda apenas em parte, e é apenas conhecendo a limitação do nosso conhecimento que podemos estar abertos para aprender com Deus e com o nosso irmão.

Fora disso, seremos apenas como cegos tentando convencer outros cegos, ou ainda, como cegos tentando fazer um outro cego enxergar com os nossos olhos.

Pense nisso...

Deus te abençoe!
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